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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Viradas - Parte III : Um Dia o Coração Descansa

Capítulo 16 : Final (?)


Em algum momento o Amor precisaria deixá-los caminhar com as suas próprias pernas e fazer suas próprias escolhas. 

Mas qual seria esse momento ?

O Amor estava receoso. Não sabia ao certo se realmente podia confiar tamanha responsabilidade a eles. Ela havia sofrido demais, por tempo demais. Ele havia se entregue sempre às pessoas erradas nos momentos errados. Como saber se eles conseguiriam enxergar verdadeiramente um no outro o quanto se amavam ?

Era preciso um teste. Ou vários testes. 

O Amor então chamou primeiro a Paixão. Docemente, ela disse : 

- Não há espaço para mim entre eles. O que você plantou é forte demais para que eu coloque qualquer outro sentimento no meio. Interferir tomaria muito do meu tempo e tenho tido trabalho demais ultimamente. Não me interessa.

Então, era a vez dos pupilos. O Amor plantou algumas sementinhas pequenas e passageiras. Algumas outras fortes e que dariam muito trabalho para serem removidas, mas era preciso.

As sementinhas passageiras foram resolvidas facilmente pelos pupilos. 
O Amor ficou feliz com isso. Pelo menos com pequeninas e chatas situações eles saberiam lidar. 

Restava saber se eles sobreviveriam às sementes que se enraizavam profundamente. 

As primeiras começaram a germinar e aparecer no caminho tão florido que eles já trilhavam. 
Ela teve medo. Na verdade, pavor. 
Não queria perdê-lo, não queria que nada e nem ninguém os atrapalhasse, queria tudo perfeito como num conto de fadas. 
Ele, por sua vez, tinha os pés mais firmes no chão e a mente mais conformada. Disse então para acalmá-la : 

- Minha Linda, não importa o que aconteça, estarei sempre contigo. Você é a mulher que eu escolhi pra estar ao meu lado daqui para frente, todos os dias da minha vida.

Só esta certeza já bastava a ela. Ela sabia que o teria por perto sempre e que se estivesse com ele, arrumariam uma maneira de resolver o que aparecesse. 

E era só desta certeza que o Amor precisava para deixá-los caminharem sozinhos pelo caminho que tão graciosamente havia preparado para eles.

Eles estarão bem, estarão juntos. E mesmo que pensem ter chegado ao fim de tudo, o caminho que preparei tem muitas sementes fortes e bonitas para germinar quando existirem pedras demais pela frente. - pensou, por fim, o Amor.

Fim 



Ou apenas um bonito começo ...


quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 15 : Amantes

O Amor ria do espanto dela ao perceber que não é só a Paixão que é capaz de fazer as pessoas perderem o ar. Literalmente.

Sussurrou para ela numa noite, ao pé do ouvido, enquanto ela se perguntava se aquele fogo todo era realmente Amor ou se era Paixão :
- Minha cara, é claro que é Amor. Só porque há tesão, eu não posso estar presente ? Ora, acaso amantes não são sinônimos de excitação e apaixonados sinônimos de meiguice ? Minto ao dizer isto ? Amantes são meus pupilos e você é minha pupila.

Ao ouvir isto, ela fechou os olhos e sorriu ao lembrar daqueles momentos que a faziam perder o ar.

Os olhares eram repletos de desejo, o toque era carinhoso, mas ardente. A troca de sussurros atiçava a imaginação e, ao mesmo tempo, o hálito quente causava arrepios tão constantes que pareciam não cessar.

As carícias percorriam cada centímetro de ambos os corpos e a faziam esquecer como se respira. E o calor que o atrito entre eles causava os fazia transpirar.

O prazer que subia aos poucos pelos dois era intenso, as cenas sempre se davam às escondidas porque eram íntimas demais para serem vistas por outros. Sequer deveriam ser imaginadas por outros que não fossem os enamorados.

Inclusive por mim.

Ela fechou os olhos e me negou a visão completa. Não tenho como dizer o que acontecia depois que ela perdia o ar e o olhava nos olhos de um jeito que só ele sabia interpretar.

Continua ...  

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 14 : Segundas Intenções 

O jeito dele de acalmá-la era, ao mesmo tempo, sutil e quente.

Ele conhecia cada um dos pontos fracos dela e, frequentemente, os atacava.
Ela, por sua vez, não sabia se adorava aquilo ou se detestava. O que ele fazia causava nela uma total perda de auto controle, e ela não gostava de perdê-lo. Por outro lado, a sensação de ter cada pêlo do seu corpo arrepiado e do calor subindo perigosamente por dentro de si eram inebriantes e deliciosos. 

Por vezes, ela se encontrava pensando :
- Como é que ele consegue fazer isso ? E como ele é tão romântico e quente ao mesmo tempo ?!

Talvez ela nunca descobrisse a resposta. Só o que tinha certeza era de que não conseguia resistir a ele.

Continua ...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 13 : Contendo o Ego

Era inevitável que, depois de tantas vezes ter sido trocada ou deixada de lado, ela tivesse problemas com sua auto-estima.

Ela era extremamente realista : podia até ser bonita, mas estava muito longe de ser a mais linda. Não gostava dos contornos do seu corpo. Não via nada de diferente em si que fosse capaz de fazer um homem optar por ela ao invés de outra mulher num possível dilema.

Por fora, ela se fazia de muito forte e segura. Era praticamente impossível vê-la abalada diante das situações que mexiam com seu ego. Mas quando ficava sozinha, sua estrutura rachava e ela se permitia ser frágil.

O medo de vê-lo partir a definhava.
E, quando ela se sentia ameaçada, simplesmente atacava.

Ciúmes Ciúmes Ciúmes Ciúmes

Transformava-se em outra pessoa quando estava enciumada : era grossa. Só aceitava sua própria versão dos fatos. Pensava estar sendo enganada, traída, trocada. Não suportava a visão daquilo.

Outras mulheres, com outras intenções perto Dele. Querendo tirá-lo dela. E ela não podia ficar calada.

E brigavam. Todas as vezes que isso acontecia ele perguntava se ela não confiava nele, mas a resposta dela era sempre a mesma :
- Confio em você, mas não confio NELAS !

Depois ele a acalmava e faziam as pazes.

Dizem que os melhores beijos vêm depois das brigas.

Será ?

Continua ... 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 12 : Desconfiança

Ela não se considerava mais uma pessoa que vivia de estados de felicidade.

Agora, ela era completamente feliz.

Foi descobrindo, com o passar do tempo, que podia se entregar a ele e, o mais importante, que podia amar com todo o seu coração.

Entretanto, era inevitável que alguém que demorou tanto para encontrar um homem que a fizesse feliz, se sentisse insegura.
Ela morria de medo de perdê-lo. Ele era a pessoa mais incrível que ela tinha naquele momento e tudo estava perfeito.
Fazia de tudo para ser a melhor pessoa para ele. Mas tinha um defeito. Um péssimo defeito.

Seu ciúme a cegava completamente quando era despertado. Qualquer outra mulher que fosse mais bonita, que pudesse oferecer a ele qualquer outra coisa material ou sentimental que ela não pudesse ou não conseguisse no mesmo nível, qualquer uma que se aproximasse demais dele a deixava em pânico. E fúria.

E isso era ruim. Muito ruim, para ela e para ele.

Continua ...

domingo, 23 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 11 : O medo de ser Feliz existe



O dia amanheceu lindo para ela. Há muito tempo não sonhava daquele jeito ou sequer dormia tão bem como na noite anterior.

Entretanto, ela estava muito tensa. 

Não queria aceitar o que sentia, até porque nem ela mesma sabia dizer o que sentia ao certo. 
Tinha medo de estar sendo egoísta ao aceitar todo aquele carinho, já que sofrera tanto por amor. Tinha medo de não conseguir corresponder à altura do que ele merecia e fazê-lo sofrer por conta disto. Tinha medo de estar cega novamente e não perceber que estava sendo iludida. Tinha medo de sua carência ser só mais uma de suas fases e, por isso, optar por ficar com ele, descobrindo em seguida que não era o que ela imaginara inicialmente.

Por fim, o Amor sussurrou para ela :

- Você está com medo de ser feliz.

Ela congelou ao ouvir isso : o que mais buscava em sua vida era a felicidade. Como poderia estar fugindo dela agora ?

Mesmo ainda cercada de dúvidas, ela resolveu procurá-lo.

Não teve coragem de telefonar. Optou por se esconder atrás de uma tela.
Conversava com ele normalmente em uma janela e nervosamente com suas cúmplices na outra.

- Acho que tenho uma novidade para vocês.
- Qual ?! CONTA, CONTA, CONTA !
- Acho que estou namorando.
- Acha ?! Como assim, ACHA ?!
- Sei lá, ele me chamou de "namorada" ontem quando estava falando com outra pessoa e comigo ao mesmo tempo. Mas ele não me disse nada ! Eu não aceitei nada ! Como é que eu vou saber ?
- Pergunta a ele, né mulher ?
- Eu ?! Que ridículo, né ? Imagina só : "ei, me tira uma dúvida ? A gente tá namorando ?". Que péssimo ! E se eu tiver entendido tudo errado ?
- Você só vai saber se tentar.
- Vou sair do msn e depois vejo o que faço.

Mas ela não saiu. Precisava falar com ele.

Nervosa, com a sensação de que abririam um buraco em seu estômago e, ao mesmo tempo, ridícula como uma garotinha de 12 anos apaixonada : era assim que ela estava. 
Mas resolveu acabar logo com aquela dúvida.

Olhou para a tela e digitou :
- Antes de sair, posso te fazer uma pergunta ?
- Claro.
- Ontem no telefone você me chamou de "namorada". É sério isso ?
- Sim. A menos que você não queira.
- é que estou acostumada a pedidos formais. Você me deixou confusa.
- Não seja por isso. Quer namorar comigo ?

Ela leu a última frase repetidas vezes e se encheu de alegria. Não tinha mais dúvidas.

- Sim.

Saiu do msn. Ele a telefonou :
- Só queria te falar que quer fazer de você a garota mais feliz do mundo. Eu te amo, parece cedo mas é verdade. Quero ficar com você e só com você.

Ela estava sem graça, atordoada, sem palavras, feliz. Estava começando a amar, mas era durona demais para admitir isso. Só o que conseguiu dizer a ele foi :
- Vou cuidar de você. Prometo.

Continua...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 10 : Palpitação

Talvez ele merecesse uma chance - ela pensou.
Ou talvez seja mais um babaca querendo me fazer de idiota - pensou em seguida.

Optou pelo meio termo, afinal. Foi deixando as coisas acontecerem naturalmente. E talvez tenha sido mais natural do que ela imaginara.

Um telefonema. Durante a conversa, ele a surpreende novamente :

- Peraí rapidinho ?
- Ok.
(falando com alguém ao fundo) - Ei, cala a boca aí ! Eu estou falando com a minha namorada ! 

O telefone quase caiu da mão dela quando ouviu aquele substantivo no final da frase dele.
Ela não tinha certeza se queria algo assim tão sério. E como ele poderia se intitular "namorado" dela se nem ao menos a consultou para isto ?

Nada como uma boa noite de sono para esclarecer todas as suas dúvidas.

O Amor sabia bem como fazer seu trabalho.

Continua ...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 9 : Como se fosse a primeira vez

Parecia mais uma tarde comum. Um dos sorrisos mais importantes dela estava pondo mais um ano de vida em sua conta. Dia perfeito para ver um filme onde todas aquelas risadas que ela tanto gostava estariam juntas.

A Dele também.

O escuro da sala era o cenário perfeito para o Amor começar a agir naquele trapo rígido que ainda insistiam em chamar de coração. A terra estava pronta, a semente devidamente fincada, mas ainda era preciso algo para fazer aquela rosa brotar. 

Ele virou-se para ela e sussurrou. Talvez tenha sido a coisa mais bonita e sincera que já havia sido dedicada a ela. Era o pedido de um coração tão chagado quanto o dela, para que não permitisse que o que já havia entre eles não se transformasse em mais uma ferida aberta em seu peito.

Mas a frase que a fez perder o fôlego e ganhar o dia inteiro, foi a que ele sussurrou por último, ao pé do ouvido :

- Estou apaixonado por você.

Ela pediu que ele se calasse. Tinha muito medo de acreditar, apesar de querer continuar a ouvir o que ele tinha a dizer.

Decidiu por impulso e beijou-o.

A lágrima reprimida por ela naquele momento foi a primeira água a regar a bela rosa que começava a germinar no jardim do Amor.

Continua ...

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 8 : Batalha Final

O Amor, outrora derrotado pela Paixão já não podia mais ser conivente com os castigos que o coração dela vinha sofrendo. Precisava agir.

Tomou coragem para enfrentar a Paixão. Ela era realmente inebriante, a fumaça do seu cigarro de canela era quente, mas não incômoda. Seu olhar era fixo e sedutor, sempre traiçoeiro.

Lá se foi o Amor, com seus chinelos e bermudão, uma camisa lisa e um sorriso nervoso na face. Ele era simples, mas não surrado como muitos ousavam pensar. Era bonito também, sem ser sedutor, era apenas cativante.

Entrou no bar, o cheiro forte do conhaque o incomodou num primeiro momento e a fumaça dos cigarros formava uma névoa sob o lugar. Ele a avistou num balcão, sentada, mas seu cigarro estava apagado e o copo vazio, além disso, não olhava nenhum dos relacionamentos que regia. A Paixão aguardava a chegada do Amor ansiosamente.

Parou diante dela. Ela o observou por um tempo e depois fez sinal para que se sentasse à sua frente. 

Nenhum dos dois falou nada. A Paixão sabia que, desta vez, o Amor venceria e não quis relutar.

Segurou o Amor pelas mãos e abriu-as sobre as suas. Nelas, colocou as cinzas de todas as fogueiras que acendeu naquela menina. Depois de deixar escorrer por entre seus dedos todo aquele pó, ela disse :

- Agora ela está pronta. Não é mais a menina ingênua de quando a conheci e seu coração não tem mais condições de me abrigar. Ela está oca e cheia de cicatrizes. É toda sua.
E foi embora.

O Amor sorriu e saiu do bar. Entrou em casa e foi direto para o jardim. Fez das cinzas que a Paixão lhe deu de adubo. Havia uma nova flor para plantar.

Continua ...


Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 7 : Um coração frio pode voltar a arder

O amanhã foi generoso com ela.

Apesar de não querer pensar nas consequências dos atos cometidos na noite anterior, ela sabia que agora teria que se policiar. Afinal, já estava cansada dos problemas gerados por manter relacionamentos públicos e não queria que eles se repetissem. Principalmente porque a relação que se tornara pública era com Ele.

E os dias foram passando, aquela angústia que tanto a perseguia foi ficando num cantinho à parte e, pela primeira vez depois de muito tempo, ela estava tranquila. Saboreava cada momento, não só com ele, mas também em qualquer lugar que estivesse.

Ele se revelava aos poucos e a surpreendia .

A cada novo dia, ela abria mais seus olhos para Ele e os fechava para os demais.

Mas será que desta vez a Paixão daria descanso àquele, já tão açoitado, coração ?

Continua ...

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 6 : Carpe Diem

Belíssima. Esse era o adjetivo que a definia naquela noite.

Estava ela ainda dentro do carro quando o avistou.
Precisou de alguns segundos para se recompor depois de constatar o quanto ele também estava lindo. 

Talvez fosse a única certeza daquela noite para ela : ela o teria só para si, mesmo que só por alguns instantes.

E mal ela e os demais apostadores da noite começaram a fazer uso de suas linguagens corporais, já distanciou-se para desfrutar dele num canto mais discreto.

Ele a fez tão bem que ela não teve a menor pressa em cumprir com o planejado para a noite. 
Foi esquecer quem era, beber como quem queria ser e dançar como quem nunca foi.

Tanta necessidade de fugir era mui fácil de se entender : ela já havia se perdido de tanto esbarrar com inúmeras pessoas, sem se importar com nenhuma delas. Talvez nem ela mesma fosse capaz de perceber isso, só o que ansiava era preencher aquele espaço vazio dentro de si.

E ele voltou, sorrindo como um menino mas um olhar que era o reflexo do que o olhar dela pedia. 

Daí em diante, a frase que definiu a noite foi :

Que se danem as apostas, as pessoas que aqui estão e todo o resto, porque só o que interessa agora é você. Amanhã a gente vê o que faz.

Continua ...

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 5 : Medo de se queimar

Ela o queria novamente. Mas precisava ser o mais discreta possível.

Neste caso, a discrição significava segredo.
Escolheu seus cúmplices e começaram os encontros e escapadas com ele.

Era divertido, mas no fundo ela morria de medo. O que estaria por vir ?

Uma festa. Aliás, para ela e seus cúmplices, seria A Festa. Ela andava afastada da noite, seu querido-doze-anos-mais-velho estava procurando-a novamente, querendo algo sério e ela estava por um triz de lhe dispensar. Ou seja, essa festa para ela era algo como "curtir como se não houvesse amanhã". Um carpe diem um tanto distorcido, com direito a apostas altas a respeito de beijos e afins.

Ela já se considerava a vencedora da noite. Iria para aquela festa a fim de enlouquecer a si mesma e esquecer do mundo.

Mas ele também estaria lá e a noite seria muito mais surpreendente do que qualquer um poderia prever. 

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 4 - Provocando incêndios

Ela sabia provocar. Era o que mais gostava de fazer.

Tomou um banho, arrumou-se um pouco. Hora de dançar.

Nada como a linguagem corporal para fazer o outro entender que está sendo desejado. Ela esperava que isto funcionasse, mas ao que pareceu, não deu certo de imediato. Já era hora de voltar.

Ele mencionou a ideia de não voltar ao lado dela. Bom, se ele não havia compreendido a linguagem corporal dela, a verbal com certeza surtiu efeito. Com um simples e categórico "não", assegurou que ele não lhe escaparia. Ela já estava ficando louca e o desejava de qualquer jeito.

Sob o pretexto de descansar, deitou e se aconchegou no peito dele. Propositalmente, aproximou o máximo que pôde seu nariz do pescoço dele, mas permanecia de olhos fechados por não ter coragem de encará-lo. Pousou uma de suas mãos na nuca dele e o acariciou. Finalmente ele entendeu o que ela queria.

Ele se reclinou sobre ela, segurando-a nos braços. 

E a beijou.

Era tudo o que ela queria naquele momento.
Só naquele momento ?

Ela estava prestes a descobrir que não.

Continua ...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 3 : Pequena Chama

Pela primeira vez desde que o conhecera, ela se sentiu insegura ao dividirem o mesmo lugar. 
Ao mesmo tempo em que queria se aproveitar daquele homem deitado em seu colo, ela desejava que ele a segurasse e a sacudisse para espantar todos os seus pensamentos maliciosos.

Segue o dia ...

E aquela coisa que ela nunca sabia o nome voltou a agir.

Apesar do frio e da água gelada, ela estava na piscina. Quando seus lábios ficaram roxos resolveu sair um pouco e se secar. Mas no instante em que pegou a toalha para se enrolar, ele surgiu. 

Eram dois corpos acostumados à presença um do outro, havia intimidade nos diálogos e nas gargalhadas. Ele era um tanto travesso e pegou-a no colo se jogando na piscina em seguida. 

No momento em que retornaram à superfície, ele ainda a segurava, com o corpo encostado ao dela. Ela estava de costas para ele, completamente arrepiada, talvez pelo contato com ele ou talvez pelo vento frio que os assolava. Mas, olhem a ironia, a parte superior do biquíni dela abrira.

Quando percebeu, ela virou-se rapidamente de frente para ele e pediu para que continuasse a segurando, enquanto ela abotoava o fecho novamente.

Os dois rostos estavam próximos demais, a respiração dela estava alterada e, muito provavelmente, seus batimentos cardíacos também.

Ao sair da piscina, nem ela mesma acreditava na constatação que fez da situação :

- Eu o quero e que se dane todo o resto.

Continua ...  

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 2 : Faísca

Era uma manhã fria e incomum para o que ela tinha programado. Mas não era ela mulher de desistir das coisas por causa de tempo ruim.

Ela estava rodeada das risadas que mais gostava, quando a dele a chamou.
E trazia consigo uma demonstração tão simples, singela e inesperada de carinho que fez com que ela parasse por um momento para admirar aquele olhar. 

E era terno. Tinha amizade, alegria, era um tanto cúmplice e muito acolhedor.
E se você está imaginando que ela se apegou àquele olhar, acertou.

Quando ela decide que quer um homem, ela o consegue. Disso nós já sabemos. Mas e quando ela não tem certeza se o quer ?

Pois bem, ela não sabia se realmente era certo desejá-lo. Era mesmo o que ela queria ? Valia apena estragar aquela amizade ? Arriscaria perder tudo o que admirou naquele olhar, só por prazer físico ?

O Amor traria as respostas a ela no decorrer daquele dia.


Continua ...

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 1 : Um começo Sutil

Ela o repudiava de todas as formas. O humilhou, pisou, ignorou. Para ela, ele não servia.

Mas o Amor é diferente da Paixão e tem dessas coisas ... Surpreende sempre que pode.

Uma tarde que, para ela estava sendo a mais terrível das tardes, só voltou a ser bela depois que ele veio lhe oferecer ajuda.

Num primeiro momento, ela pensou que ele estivesse armando algo em retaliação a tudo o que ela o fizera. Mas quando olhou nos olhos dele, não havia nada além da simples vontade de ajudar.
Ela se apegou àquela mão estendida e, de repente, percebeu que ali poderia se encontrar uma amizade e que ela poderia estar enganado quanto a todos os seus julgamentos.

E estava. O tempo provou isso.

A amizade que ela tinha por ele era enorme. E era recíproco.

O problema é que, primeiro ela o via com desdém porque o repudiava. Depois, ela só o enxergava como amigo. Nunca foi capaz de observá-lo como homem, mesmo ele estando ali a seu lado o tempo todo.

Mas isso não era algo que o Amor não pudesse resolver facilmente.

Continua ...


Viradas - Parte II : Jogos de Sedução

Capítulo 10 : Hora de olhar para dentro

Ela andava tão descontrolada que olhava para todos os homens ao seu redor em busca de algo que pudesse aproveitar para si.

A experiência queria algo sério, mas ela não. Não com ele. No fim, admitiu que ele era velho demais e que não daria certo se não fosse só um lance.

Buscou nos amigos que nunca imaginou, estragou alguns. 
Mas o vazio perdurava dentro dela. Fazia eco.

Por que será que ela nunca olhava para quem já estava ao seu lado ?


Continua ...

Viradas - Parte II : Jogos de Sedução

Capítulo 9 : A Vez da Experiência

Depois de um moleque, nada melhor do que um homem mais maduro.

Só um lance, era o que concordavam ser a relação. Talvez a mais louca da vida dela.

Ele era completamente solteiro, doze anos mais velho do que ela, ganhava muito bem, não tinha filhos e gastava tudo como bem entendia. Era um homem completamente livre.

Com ele, ela relembrou como era viver intensamente a noite. Qualquer um com passe livre para todas as boates da cidade ia querer começar o final de semana às quintas-feiras. E era isso que eles faziam.

Muitas noites, inúmeras luzes coloridas, altas doses das bebidas mais exóticas, os melhores DJ's, as festas mais incríveis. A vida social dela andava muito agitada. E seus hormônios também.

Mesmo quando saía com ele, ela podia sentir o prazer de outros corpos, o vulcão de outros braços e a sedução de outras danças. E isso a levava à loucura.

Mas chega um momento em que tudo isso precisa acabar.

Continua ...

Viradas - Parte II : Jogos de Sedução

Capítulo 8 : Quando meninos pensam que são Homens

Moleque. Ao final de tudo era assim que ela o chamaria.

Ele era legal, a atraía, gostava do que ela gostava, tinha histórias para contar, dava toda a atenção que a carência dela exigia.

Como se tudo isso não bastasse, ele sabia como fazê-la lembrar dele toda noite antes de dormir.

Mas, como ela mesma o classificou, era um garoto, um crianção inconsequente. E isso ela não suportaria jamais. Principalmente se ele fosse conivente com coisas ilícitas.

Ela nunca foi certinha, mas era mulher de princípios. Quando percebeu que alguns bens materiais dele e atitudes não condiziam com a realidade das suas histórias, ela ligou os fatos.

E o odiou por isso.

Mesmo sabendo que ele a usara e que todo o tempo que passaram juntos não significou nada para ele além de só status, ela ficou enojada pela quebra de valores que ele a causou.

No fim de tudo, ela fez o que sentiu vontade :

- Vai para o inferno ! Quando eu quiser um moleque de novo, eu pego um numa turma de 5ª série. É o mesmo que estar com você.

Ela riu disso por dias.
E agora ela queria brincar de mandar.

Continua ...

Viradas - Parte II : Jogos de Sedução

Capítulo 7 : Voltando a ser ingênua

Ela sempre encarava o Carnaval como a melhor época do ano para relaxar em dezenas de bocas e rir cercada por outras dezenas de braços.

Mas ela estava alimentando um conto de fadas impossível e sonhava acordada enquanto olhava cada um que passava ao seu lado : ninguém era como seu príncipe.

Para ela, os resultados de um Carnaval em que não havia provado ninguém, somados ao seu sonho de verão, não poderiam ser nada menos do que catastróficos. 

Extremamente carente e acreditando que todos os homens do mundo são príncipes, ela se entregou ao primeiro que foi capaz de despertá-la dos seus sonhos.

Só que ele não era um príncipe como seu amor de verão. Era do tipo canalha difícil de identificar para alguém no estado em que ela se encontrava.

Por que a Paixão gostava tanto de brincar com ela usando os caras errados ?

Continua ... 
 

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