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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Por um mundo onde as pessoas dancem na chuva

A felicidade de um amor sem medidas não pode ser expressada com palavras, mas pode se fazer mostrar com gestos simples, pequenos, ou mesmo considerados loucos e estranhos. 

Quem ama não está preocupado com o que os outros vão dizer sobre suas ações e, tão pouco, preocupa-se com ficar ou não molhado por dançar na chuva. 

A alegria entorpece e retira qualquer pudor ou vergonha de quem está sob seu efeito.

Aaaah como o mundo seria um lugar mais bonito se todos sentissem isso constantemente ...

#MaisAmorPorFavor





sábado, 16 de outubro de 2010

Noite Carioca

Sábado, aproximadamente 01h30min da manhã.

Lapa, berço da malandragem carioca e reduto de todos os ritmos.



Só dos ritmos ?

Pois bem, 2 meninos. Um preto, um empretecido. Ao lado de cada um, uma garrafinha. Mas dentro dela não havia água, suco, refrigerante ou bebida alcoólica. Era crack.

Mais distante, havia uma menina. Não tão empretecida quanto o segundo menino, mas ainda sim, encardida. Perto de si não havia garrafas, nem cigarros, pílulas ou agulhas. Só um amontoado de papelão. Ela estava cansada e com fome, mas conseguiu uns trocados pedindo aqui e ali durante o dia. Arrumou o papelão junto a uma das "paredes" dos Arcos, parecia mesmo uma casinha (não de gente, mas ainda assim, era uma casinha). Levantou, pegou seus trocadinhos, comprou uma coca, uma água e um churrasquinho. Foi à "casa", entrou, sentou, lavou as mãos e a boca com um pouquinho d'água, comeu o churrasquinho, tomou a sua coca-cola. Guardou a água com todo cuidado, pois ouviu na TV de algum lugar que o dia seguinte seria quente. Olhou os 2 meninos que riam e se divertiam com bolsas, carteiras e celulares novos. Olhou todas aquelas pessoas passando todo o tempo de lá para cá. Era bonito vê-los em suas diversas cores e luzes. 

Por fim, rendeu-se ao cansaço. Fechou a "porta" da sua "casa" e adormeceu, esperando que o dia seguinte lhe reservasse uma boa surpresa ou que ao menos, fosse menos cruel quanto o atual.

sábado, 29 de maio de 2010

A busca eterna por asas

Vamos direto ao ponto : será que perdemos a capacidade de sonhar ?



Durante um debate numa aula (a qual eu infelizmente cheguei atrasada) surgiu o seguinte tema : por que a nossa geração parece ter perdido a vontade de sonhar ?



Na verdade, reformulei esta pergunta. Ao invés da palavra “vontade” havia a palavra “capacidade”. Entretanto, não acredito que tenhamos perdido tal capacidade. Ela apenas está adormecida devido ao tipo de vida que levamos hoje em dia.



Como assim ? Simples : entramos num ciclo vicioso. Com a globalização e as consequências do capitalismo, as pessoas foram ficando cada vez mais sem tempo. Para solucionar este problema, nos empenhamos para tornar nossas vidas mais práticas, principalmente através de recursos tecnológicos. Isso é, aparentemente, bom. Aparentemente. Por causa de tais facilidades, nos acomodamos, deixamos de pensar a fim de resolver nossos problemas, para pensar em números.



A cada facilidade que aumenta um pouquinho nosso tempo livre, arrumamos outra atividade e voltamos a ficar sem tempo.







O ser humano não sabe ficar parado.







Não importa quantas forem as facilidades e praticidades : 24h nunca parecerão suficientes para o Homem. Tais recursos só piorarão a situação. Eles atrapalham as relações sociais e nos fazem pensar menos e agir mais. Tudo já chega até nós pensado, “mastigado”. É mais cômodo só executar uma tarefa, sem precisar pensá-la. Em compensação, é menos saudável.



Se você se acomoda a não pensar, automaticamente você se acostuma a aceitar que os outros pensem e decidam por você, ou seja, ao invés de ter suas próprias opiniões, idéias e sonhos, você aceita os que lhe são impostos e, o pior, acredita que realmente são seus. Isso praticamente acaba com a vontade do ser humano de sonhar e um Homem que não possui sonhos é um Homem sem vida.



Viramos máquinas ? Perdemos nossas asas ? Cansamos de lutar para não sermos manipulados ?



Entre aceitar que sonhem por mim e ser “normal”, e ter meus próprios sonhos e ser tachada de louca, eu prefiro ser a louca. Afinal, os loucos podem dizer o que quiserem quando bem entenderem, ninguém os reprimirá. Além do mais, os sonhos mais loucos são os mais difíceis de se alcançar. A eterna busca por realizar um sonho é o que move ou pelo menos deveria mover a humanidade.









E você, já sonhou hoje ?



sábado, 6 de março de 2010

Alguém ?

Já havia algum tempo que me esquecera o quão bom é conhecer novos Alguéns.

Socializar faz parte da necessidade humana em não ficar só. O problema é que, no meio de um mundo que parece sempre estar prestes a explodir e onde o tempo teima em correr, é muito complicado simplesmente sentar-se com alguém e conversar.

Sim, meus caros. Conversar. Sobre temas avulsos, que nada têm em comum entre si. Conversar pelo simples prazer de trocar experiências com uma pessoa nova. Conversar para realmente poder dizer que se conhece um pouco do outro. Aprender a ouvir e reaprender a ouvir coisas boas. Falar sem ter de se preocupar com o vocabulário ou com a postura a ser tomada. Jogar conversa fora, sem máscaras. Dizer besteiras. Ouvir gargalhadas. Dialogar. Poder discordar sem o receio de sofrer retaliações. Criticar e ser criticado sem medo ou ressentimento. Permitir-se viajar na história do outro e convidá-lo a entrar na sua. Discutir assuntos sérios e terminá-los com futebol e chopp. Reaprender a entender os limites e diferenças alheios. Tornar a sensibilizar-se com fatos bonitos e a indignar-se com os absurdos. Perceber que nem toda conversa possui segunda intenção, mas conseguir captar "pistas" nas frases sutis. Olhar nos olhos. Sorrir. Se emocionar. Se assustar. Surpreender-se. Opinar. Tirar a velha armadura e mostrar-se verdadeiramente a Alguém. Simplesmente CONVERSAR.

Infelizmente, dialogar com senso e respeito parece ser impossível em determinadas situações nos dias atuais.
Conversar é mais do que socializar, entreter ou conhecer. É a arte de dar formas e cores fortes e novas às palavras. É reacender a chama da "boa curiosidade" aliada às boas maneiras. É ver que uma tela e um teclado não bastam para verdadeiramente falar com alguém. Telefonar e falar e ouvir por horas e horas. . .

Tudo isso para, depois de um dia conturbado e corrido, poder-se deitar e lembrar daquela conversa (ou daquelas conversas) que mudaram algo em você, no seu dia ou, simplesmente, nada acrescentaram, mas que foram excelentes. Tenham sido elas ao pé do ouvido, longas ou mesmo rapidinhas na hora do almoço, e recordar-se do quanto é bom conhecer (um novo/velho) Alguém.



terça-feira, 20 de outubro de 2009

Oração a mim mesmo - Oswaldo Begiato


Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais.

Falar menos. Chorar menos.
Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm.
Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.
Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.
Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim ,e comigo morrem por eu não os saber sonhos.
Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis;
aqueles que morrem e ressuscitam


a cada novo fruto,


a cada nova flor,


a cada novo calor,


a cada nova geada,


a cada novo dia.


Que eu possa sonhar o ar,
sonhar o mar,
sonhar o amar,
sonhar o amalgamar.


Que eu me permita o silêncio das formas,
dos movimentos,
do impossível,
da imensidão de toda profundeza.


Que eu possa substituir minhas palavras
pelo toque,
pelo sentir,
pelo compreender,
pelo segredo das coisas mais raras,
pela oração mental
(aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).


Que eu saiba dimensionar o calor,
experimentar a forma,
vislumbrar as curvas,
desenhar as retas,
e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.


Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza,
criando-me e recriando-me a cada instante.


Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.
Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam
minhas dúvidas.


Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.
Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo:
Que eu não tenha medo de meus medos!
Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperanças.


Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência, sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos, humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas
(que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).


Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso,
ser órfão.
Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei, traduzir o que os mestres ensinaram
e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências;
respeitar incondicionalmente o ser;
o ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência, auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.


Que eu possa amar e ser amado.
Que eu possa amar mesmo sem ser amado,
fazer gentilezas quando recebo carinhos;
fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas.
Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.


Amém.
 

©2009 BambaLoucos | by TNB