sábado, 29 de maio de 2010

A busca eterna por asas

Vamos direto ao ponto : será que perdemos a capacidade de sonhar ?



Durante um debate numa aula (a qual eu infelizmente cheguei atrasada) surgiu o seguinte tema : por que a nossa geração parece ter perdido a vontade de sonhar ?



Na verdade, reformulei esta pergunta. Ao invés da palavra “vontade” havia a palavra “capacidade”. Entretanto, não acredito que tenhamos perdido tal capacidade. Ela apenas está adormecida devido ao tipo de vida que levamos hoje em dia.



Como assim ? Simples : entramos num ciclo vicioso. Com a globalização e as consequências do capitalismo, as pessoas foram ficando cada vez mais sem tempo. Para solucionar este problema, nos empenhamos para tornar nossas vidas mais práticas, principalmente através de recursos tecnológicos. Isso é, aparentemente, bom. Aparentemente. Por causa de tais facilidades, nos acomodamos, deixamos de pensar a fim de resolver nossos problemas, para pensar em números.



A cada facilidade que aumenta um pouquinho nosso tempo livre, arrumamos outra atividade e voltamos a ficar sem tempo.







O ser humano não sabe ficar parado.







Não importa quantas forem as facilidades e praticidades : 24h nunca parecerão suficientes para o Homem. Tais recursos só piorarão a situação. Eles atrapalham as relações sociais e nos fazem pensar menos e agir mais. Tudo já chega até nós pensado, “mastigado”. É mais cômodo só executar uma tarefa, sem precisar pensá-la. Em compensação, é menos saudável.



Se você se acomoda a não pensar, automaticamente você se acostuma a aceitar que os outros pensem e decidam por você, ou seja, ao invés de ter suas próprias opiniões, idéias e sonhos, você aceita os que lhe são impostos e, o pior, acredita que realmente são seus. Isso praticamente acaba com a vontade do ser humano de sonhar e um Homem que não possui sonhos é um Homem sem vida.



Viramos máquinas ? Perdemos nossas asas ? Cansamos de lutar para não sermos manipulados ?



Entre aceitar que sonhem por mim e ser “normal”, e ter meus próprios sonhos e ser tachada de louca, eu prefiro ser a louca. Afinal, os loucos podem dizer o que quiserem quando bem entenderem, ninguém os reprimirá. Além do mais, os sonhos mais loucos são os mais difíceis de se alcançar. A eterna busca por realizar um sonho é o que move ou pelo menos deveria mover a humanidade.









E você, já sonhou hoje ?



sábado, 15 de maio de 2010

Pérolas de Cefetianos e Aspirantes - Parte 2

Ano Novo, vida nova. Todos já se esqueceram de suas promessas de Reveillon e, por outro lado, já têm consciência de que, passados o Carnaval,a Páscoa e o dia das Mães, o ano finalmente começou .

Mas, apesar de tudo parecer diferente, uma coisa permanece igual : o cérebro das pessoas (alunos, professores e funcionários) que integram o CEFET/HM. E, esse ano, creio que o problema tenha se agravado, pois ainda nem estamos no meio do ano e o post das Pérolas já foi feito oh que horror! (#piadainterna), incluindo pérolas de calouros (isso é que eu chamo de entrar no clima !) ! Então, chega de enrolação, VAMOS A ELAS ! (\o/)

OBS .: Desta vez, atendendo a pedidos, não divulgarei os nomes dos autores das proezas aqui escritas (mas se alguém quiser se acusar, sem problemas !)



1ª pérola :
" Se vocês tivessem ligado, eu tinha trouxedo o dinheiro !"

2ª pérola :
" Os bombeiros não usam as mangueiras, eles chegam ao incêndio com carros-bomba !"

3ª pérola :
" Amanhã nós temos que passar nas saulas de aula ! "

4ª pérola :
" Põe o vídeo no iau túbe !"

5ª pérola :
" Ocas são as cazonas onde todos os índios dormem e, à noite, fica aquela colisão de gases. Para isso não acontecer, eles abrem os janelões, né ? "

6ª pérola :
" Professor, a prova vai ser objetiva ou de múltipla escolha ? "

7ª pérola :
(escrevendo no quadro) " Dissebel" tá professor, mas no livro está escrito "Decibel" 

8ª pérola :
" O menos ruim disso tudo (...) "

9ª pérola :
(silêncio total, todos concentrados no trabalho de B.D.) " Sylvia, você não vai crescer não ? "

10ª pérola :
" Servidor de Impressora vai para a tabela de servidor " (fulaninha aponta para a palavra 'servidor' no começo do texto)
"Mas então, foi o que eu disse ! " (ciclaninha aponta para a palvra 'servidor' no final do texto)
"NÃO ! Tá errado ciclaninha ! Você não tá entendendo !"
Algum tempo depois ....
"Aaaah tá. Entendi (fulaninha #lenta)

11ª pérola :
" O sotaque dele é que nem forró clássico aos meus ouvidos !"

12ª pérola :
" Falar é fácil, digitar mais ainda ! "

13ª pérola :
" Ninguém pode falar quando eu for fazer xixi, porque eu preciso me concentrar !"

14ª pérola :
(dinâmica do 'Eu te amo por que ...') " Eu te amo porque você é inteligente, vai ter muito dinheiro e vai me sustentar !" (um menino dizendo ao companheiro de turma)

15ª pérola :
" O funk 'É o pente' possui versos decassílabos e pertence ao pré-modernismo"

16ª pérola :
" Não confunda centavos novos com sentar nos ovos. "

17ª pérola :
" A camada de rede é a superior. Então, qual é a camada superior ?"

18ª pérola :
" Entre 7h e 10h, nós temos 5 horas ! "

19ª pérola :
" Vou entrar no fogo pegando fogo !"

20ª pérola :
" Fico a aula inteira cutucando ela, mas só agora consegui aproximar meu tronco dela."

Bom, meus caros Cefetianos e Aspirantes, fiquem atentos,pois quando menos esperarem, suas gafes linguísticas podem vir parar no Coisas de Bamba .



Até mais !

sábado, 8 de maio de 2010

À mulher que eu mais amo

Todos os anos, no segundo domingo do mês de maio, homenageamos aquela mulher que nos deu a vida.

Já vi diversos tipos de homenagens às mães. Das mais sem nexo (como as do Guanabara) até as mais bonitas. Das mais simples às mais sofisticadas.

Com relação aos presentes, já vi dos mais criativos possíveis aos mais comuns.

Vejo todos os anos, o desespero de pais e filhos para encontrar algo especial, que simbolize um sentimento que nenhum dos dois é capaz de compreender perfeitamente. Pessoas tentando descobrir o que a Querida Mamãe mais precisa ou que ela mais deseja. Sou uma dessas pessoas desesperadas por demonstrar, a cada ano, de uma forma diferente, o que sinto pela minha mãe. Esse ano resolvi simplesmente escrever a ela aqui o que provavelmente ela já sabe, mas que eu nunca lhe disse.



Se, quando eu crescer, for metade da mulher que é a minha mãe, tenho certeza de que serei alguém muito bom.

Não que minha mãe seja perfeita. Não mesmo. Mas, dentro de todos os seus defeitos, ela ainda consegue despertar em mim (e em muitos outros) admiração e respeito. Aos mais íntimos, carinho . E, em mim, a vontade de ser alguém que se pareça em questão de valores e sentimentos, com ela.



Por que essa “obsessão” de parecer com a minha mãe ?

Porque todas as vezes que eu preciso, ela está lá.
Quando eu fico doente, é ela que passa a noite em claro cuidando de mim.
Quando estou desesperada, é o colo dela que procuro.
Se algo de muito bom acontece, é o telefone dela o primeiro que disco.
Se algo de muito ruim ocorre, o telefone dela também é o primeiro da lista.
É ela que chora de saudades quando passo muito tempo fora.
É ela que se emociona quando venço mais uma etapa na minha vida.
É o olhar dela que parece se perder num eterno devaneio quando percebe que cresci mais um pouquinho.
É com ela que fico brava quando não posso fazer algo .
Mas é a ela que agradeço ( ou pelo menos deveria) quando percebo que realmente não era para ter feito.
São os conselhos dela os mais valiosos e os mais difíceis de seguir, por serem os mais certos.
São os olhos dela que conseguem enxergar o que ainda não sou capaz e me alertam sempre que preciso.
É ela que fica com o coração na mão todas as vezes que vou para os estádios de futebol (são os únicos jogos que ela assiste).
É ela que vira bicho quando mexem comigo.
É na porta do quarto dela que ainda bato quando sinto dor.
É o nome dela que eu grito quando aparece algum inseto horrível e nojento.
Foi ela quem me ensinou a me cuidar como mulher.
Foi ela quem me moldou para ser alguém, segundo ela, melhor do que ela e meu pai são.
Foi ela quem passou tardes e noites com livros nas mãos me ajudando a estudar.
É dela o “bom dia” que mais gosto de ouvir.
É a preocupação dela a mais intensa que há com relação a mim.
É ela a pessoa que mais tenho medo de perder no mundo.
E a que mais tenho medo de decepcionar.
É com ela que mais me pareço (e me orgulho muito disso).
É dela o incentivo mais poderoso que recebo.
E a bronca que mais dói receber.
É por ela que me esforço para ser alguém a cada dia melhor e que lhe dê orgulho.
E é quando brigo com ela que fico mais triste (apesar de, às vezes, não parecer).
É por ela a primeira prece que faço todas as noites antes de deitar.
E, por fim, é ela a pessoa mais importante e especial da minha vida.
Não preciso (Graças a Deus) de que chegue o dia das Mães para lhe dizer isso, mas já que ele existe, digo hoje da forma mais sincera e madura que já disse em toda minha (ainda pequena) vida :



Mãe, Te Amo !


 


E, no meu coração, por mais clichê que isso possa parecer, todos os dias são Dia das Mães, porque para mim, todo dia é dia de homenagear e prestigiar a mulher que me deu a vida e que me tornou o que sou hoje.




sábado, 1 de maio de 2010

Crônicas de uma estudante revoltada

Sinceramente, eu acho muito injusto para com os (verdadeiros) estudantes determinadas declarações feitas por pessoas guiadas (sem perceber) pelo senso comum. Para entender melhor o que eu quero dizer, vamos a uma pequena crônica :

Um grupo de estudantes uniformizados se aproxima das portas (ainda fechadas) de um vagão do metrô lotado. Ora, também merecemos voltar às nossas casas !

Logo que as portas se abrem, inúmeras caretas de dentro do vagão começam a surgir e um burburinho de insatisfação brota de alguns pontos.

Os estudantes entram sob aquele discreto e silencioso protesto, todos com suas mochilas sendo seguradas para baixo ou na frente do corpo (assim como aquela voz calma e suave nos aconselha naquela gravação), mas ainda é perceptível que alguns passageiros se sentem incomodados com as tais.

Depois de pouco tempo, os estudantes passam a receber olhares tortos por conta do assunto por eles discutido : o fim de semana e muitas piadas. Pois bem, as estações vão passando e conversas paralelas vão surgindo entre eles sobre os mais variados temas. Acreditem ou não, mas até mesmo conversas feitas de forma sutil sobre vestibular, técnico e provas parecem incomodar alguns passageiros. Até que, finalmente, alguém diz :

“Depois de um dia estressante, ainda sou obrigada a aturar isso ...”

A vontade que eu senti no momento foi de me dirigir a ela da seguinte maneira :

“ Ô minha tia, olha só, eu não tenho culpa se a senhora teve um dia estressante e se a minha conversa não lhe agrada, mas a opção de ouvi-la ou não é sua, já que estou conversando num tom baixo. Garanto que se eu estivesse aqui dando inúmeras dicas de beleza, a senhora não estaria reclamando. “


Maaaaaaas, minha queridíssima mamãe me deu educação e me ensinou a não responder à provocações desta maneira. Portanto, farei uso deste espaço que é MEU e onde eu posso expor as minhas idéias, opiniões e reclamações da forma que bem entender. Se você pensa da mesma forma que aquela senhora no metrô, por favor, pare AGORA de ler este post.



Pois bem, eu acordo às 05:00 da manhã para ir à escola. Entro na sala de aula e, lutando contra o sono, tento assimilar todos aqueles conteúdos que farão de mim uma boa profissional (ou não). Saio do técnico e tenho um pequeno intervalo entre ele e o ensino médio (não dando tempo de voltar para casa para almoçar, tomar banho ou descansar.), que , em semana de provas, é usado para estudar para as mesmas.

A hora do almoço … Deveria ser um momento de alegria, satisfação, tranquilidade, afinal estamos “reabastecendo” ! Mas não. Precisamos respirar fundo e torcer para que o cardápio do dia seja um pouquinho variado (já que não é lá tão saboroso). Agora me digam, desde quando canjica (rala, diga-se de passagem) alimenta um adolescente em fase de crescimento, que passará o dia inteiro fora de casa ?

Para aqueles que podem pagar, há duas opções : salgados ou almoço no restaurante (comida com bicarbonato).

Depois do almoço, sala de aula novamente. Hora do intervalo e . . . Sala de aula mais uma vez.

Na hora da saída, conversamos um pouquinho com os amigos para esparecer, relaxar (mas somente quando isso é possível) e vamos enfrentar nossas conduções simplesmente lotadas .

Tudo bem, alguns podem alegar que nós não fazemos mais do que nossa obrigação, que muitas pessoas têm a rotina bem mais desgastante que a nossa, que nós passamos o dia inteiro sentados mas, esperem um pouquinho : não passamos o dia inteiro sentados (acho que também não suportaríamos), também sofremos no calor com uniformes quentes, carregamos mochilas pesadas com livros enormes, não nos alimentamos da maneira correta, viramos noites estudando para inúmeras provas a serrem realizadas no dia seguinte e fazendo trabalhos intermináveis (ou seja, não dormimos direito), acordamos ainda de madrugada , chegamos tarde, levamos trabalho para casa (lógico) e ainda precisamos nos manter atualizados sobre o que acontece no mundo. De certa forma, somos sim trabalhadores.

Outro fato importante : tente observar as demonstrações de falta de educação dentro de um metrô, por exemplo (aproveitando a deixa da crônica) e constate que a maioria delas não provém dos estudantes, mas sim daqueles que, normalmente são os primeiros a recriminar o comportamento de deles.

Participei de uma cena que me deixou revoltada quando eu ainda era do primeiro ano do ensino médio :


Metrô cheio, bancos especiais ocupados por homens bem vestidos . Eu estava sentada no banco normal, paralelo a estes, quando uma mulher carregando uma recém-nascida em um dos braços e, no outro,uma bolsa grande com as coisas da menina (daquelas usadas para carregar fraldas, mamadeiras, toalhinhas e todo o tipo de aparato que o neném venha a precisar na rua) entrou no vagão . Algum daqueles homens engravatados sentados no lugar destinado àquela mulher, levantou-se e cedeu o lugar a ela ? Não ! EU,a estudante MAL EDUCADA , SEM-NOÇÃO e INCONVENIENTE, levantei e cedi meu banco à mulher.



Para aqueles homens sentados naquele maldito banco naquele dia. 

Portanto, deixemos de ser preconceituosos e paremos de generalizar o comportamento dos jovens, porque TODOS os adultos de hoje passaram por isso e muitos outros,que estão crescendo,ainda passarão. Cada um possui uma personalidade e um comportamento, não sendo justo julgar a todos por causa de um. E mais uma coisa : antes de recriminar as atitudes alheias, procure fazer uma avaliação das suas, afinal, culpar os outros é muito fácil,mas reconhecer os próprios erros . . . (tsc tsc)


 

©2009 BambaLoucos | by TNB