quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 15 : Amantes

O Amor ria do espanto dela ao perceber que não é só a Paixão que é capaz de fazer as pessoas perderem o ar. Literalmente.

Sussurrou para ela numa noite, ao pé do ouvido, enquanto ela se perguntava se aquele fogo todo era realmente Amor ou se era Paixão :
- Minha cara, é claro que é Amor. Só porque há tesão, eu não posso estar presente ? Ora, acaso amantes não são sinônimos de excitação e apaixonados sinônimos de meiguice ? Minto ao dizer isto ? Amantes são meus pupilos e você é minha pupila.

Ao ouvir isto, ela fechou os olhos e sorriu ao lembrar daqueles momentos que a faziam perder o ar.

Os olhares eram repletos de desejo, o toque era carinhoso, mas ardente. A troca de sussurros atiçava a imaginação e, ao mesmo tempo, o hálito quente causava arrepios tão constantes que pareciam não cessar.

As carícias percorriam cada centímetro de ambos os corpos e a faziam esquecer como se respira. E o calor que o atrito entre eles causava os fazia transpirar.

O prazer que subia aos poucos pelos dois era intenso, as cenas sempre se davam às escondidas porque eram íntimas demais para serem vistas por outros. Sequer deveriam ser imaginadas por outros que não fossem os enamorados.

Inclusive por mim.

Ela fechou os olhos e me negou a visão completa. Não tenho como dizer o que acontecia depois que ela perdia o ar e o olhava nos olhos de um jeito que só ele sabia interpretar.

Continua ...  

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 14 : Segundas Intenções 

O jeito dele de acalmá-la era, ao mesmo tempo, sutil e quente.

Ele conhecia cada um dos pontos fracos dela e, frequentemente, os atacava.
Ela, por sua vez, não sabia se adorava aquilo ou se detestava. O que ele fazia causava nela uma total perda de auto controle, e ela não gostava de perdê-lo. Por outro lado, a sensação de ter cada pêlo do seu corpo arrepiado e do calor subindo perigosamente por dentro de si eram inebriantes e deliciosos. 

Por vezes, ela se encontrava pensando :
- Como é que ele consegue fazer isso ? E como ele é tão romântico e quente ao mesmo tempo ?!

Talvez ela nunca descobrisse a resposta. Só o que tinha certeza era de que não conseguia resistir a ele.

Continua ...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 13 : Contendo o Ego

Era inevitável que, depois de tantas vezes ter sido trocada ou deixada de lado, ela tivesse problemas com sua auto-estima.

Ela era extremamente realista : podia até ser bonita, mas estava muito longe de ser a mais linda. Não gostava dos contornos do seu corpo. Não via nada de diferente em si que fosse capaz de fazer um homem optar por ela ao invés de outra mulher num possível dilema.

Por fora, ela se fazia de muito forte e segura. Era praticamente impossível vê-la abalada diante das situações que mexiam com seu ego. Mas quando ficava sozinha, sua estrutura rachava e ela se permitia ser frágil.

O medo de vê-lo partir a definhava.
E, quando ela se sentia ameaçada, simplesmente atacava.

Ciúmes Ciúmes Ciúmes Ciúmes

Transformava-se em outra pessoa quando estava enciumada : era grossa. Só aceitava sua própria versão dos fatos. Pensava estar sendo enganada, traída, trocada. Não suportava a visão daquilo.

Outras mulheres, com outras intenções perto Dele. Querendo tirá-lo dela. E ela não podia ficar calada.

E brigavam. Todas as vezes que isso acontecia ele perguntava se ela não confiava nele, mas a resposta dela era sempre a mesma :
- Confio em você, mas não confio NELAS !

Depois ele a acalmava e faziam as pazes.

Dizem que os melhores beijos vêm depois das brigas.

Será ?

Continua ... 

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 12 : Desconfiança

Ela não se considerava mais uma pessoa que vivia de estados de felicidade.

Agora, ela era completamente feliz.

Foi descobrindo, com o passar do tempo, que podia se entregar a ele e, o mais importante, que podia amar com todo o seu coração.

Entretanto, era inevitável que alguém que demorou tanto para encontrar um homem que a fizesse feliz, se sentisse insegura.
Ela morria de medo de perdê-lo. Ele era a pessoa mais incrível que ela tinha naquele momento e tudo estava perfeito.
Fazia de tudo para ser a melhor pessoa para ele. Mas tinha um defeito. Um péssimo defeito.

Seu ciúme a cegava completamente quando era despertado. Qualquer outra mulher que fosse mais bonita, que pudesse oferecer a ele qualquer outra coisa material ou sentimental que ela não pudesse ou não conseguisse no mesmo nível, qualquer uma que se aproximasse demais dele a deixava em pânico. E fúria.

E isso era ruim. Muito ruim, para ela e para ele.

Continua ...

domingo, 23 de outubro de 2011

Viradas - Parte III : Um dia o coração descansa

Capítulo 11 : O medo de ser Feliz existe



O dia amanheceu lindo para ela. Há muito tempo não sonhava daquele jeito ou sequer dormia tão bem como na noite anterior.

Entretanto, ela estava muito tensa. 

Não queria aceitar o que sentia, até porque nem ela mesma sabia dizer o que sentia ao certo. 
Tinha medo de estar sendo egoísta ao aceitar todo aquele carinho, já que sofrera tanto por amor. Tinha medo de não conseguir corresponder à altura do que ele merecia e fazê-lo sofrer por conta disto. Tinha medo de estar cega novamente e não perceber que estava sendo iludida. Tinha medo de sua carência ser só mais uma de suas fases e, por isso, optar por ficar com ele, descobrindo em seguida que não era o que ela imaginara inicialmente.

Por fim, o Amor sussurrou para ela :

- Você está com medo de ser feliz.

Ela congelou ao ouvir isso : o que mais buscava em sua vida era a felicidade. Como poderia estar fugindo dela agora ?

Mesmo ainda cercada de dúvidas, ela resolveu procurá-lo.

Não teve coragem de telefonar. Optou por se esconder atrás de uma tela.
Conversava com ele normalmente em uma janela e nervosamente com suas cúmplices na outra.

- Acho que tenho uma novidade para vocês.
- Qual ?! CONTA, CONTA, CONTA !
- Acho que estou namorando.
- Acha ?! Como assim, ACHA ?!
- Sei lá, ele me chamou de "namorada" ontem quando estava falando com outra pessoa e comigo ao mesmo tempo. Mas ele não me disse nada ! Eu não aceitei nada ! Como é que eu vou saber ?
- Pergunta a ele, né mulher ?
- Eu ?! Que ridículo, né ? Imagina só : "ei, me tira uma dúvida ? A gente tá namorando ?". Que péssimo ! E se eu tiver entendido tudo errado ?
- Você só vai saber se tentar.
- Vou sair do msn e depois vejo o que faço.

Mas ela não saiu. Precisava falar com ele.

Nervosa, com a sensação de que abririam um buraco em seu estômago e, ao mesmo tempo, ridícula como uma garotinha de 12 anos apaixonada : era assim que ela estava. 
Mas resolveu acabar logo com aquela dúvida.

Olhou para a tela e digitou :
- Antes de sair, posso te fazer uma pergunta ?
- Claro.
- Ontem no telefone você me chamou de "namorada". É sério isso ?
- Sim. A menos que você não queira.
- é que estou acostumada a pedidos formais. Você me deixou confusa.
- Não seja por isso. Quer namorar comigo ?

Ela leu a última frase repetidas vezes e se encheu de alegria. Não tinha mais dúvidas.

- Sim.

Saiu do msn. Ele a telefonou :
- Só queria te falar que quer fazer de você a garota mais feliz do mundo. Eu te amo, parece cedo mas é verdade. Quero ficar com você e só com você.

Ela estava sem graça, atordoada, sem palavras, feliz. Estava começando a amar, mas era durona demais para admitir isso. Só o que conseguiu dizer a ele foi :
- Vou cuidar de você. Prometo.

Continua...
 

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