domingo, 31 de outubro de 2010

Palavras, apenas. Palavras pequenas. Palavras ao vento ...



Sim, engana-se quem pensa que não há poder nas palavras.

Guerras são travadas através delas.
Pessoas são encantadas.
Sofrimentos transformam-se em alegrias e vice-versa.

Eu concordo com Liesel Meminger, A menina que roubava Livros , quando ela diz :

Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito 

Conhecer as palavras e seu poder ,implica em saber quando são venenosas e quando estão sendo verdadeiramente doces. E isso, às vezes, é cruel (e eu não entrarei em detalhes).

Hitler foi um gênio (não, não sou hitlerista). Devemos admitir, senhores, Adolf gerou uma guerra e convenceu o povo Alemão de seus cruéis ideais, através das palavras (seus discursos e Mein Kampf não me deixam mentir). A IIGM foi fruto do veneno disfarçado de mel nas palavras de Hitler.



Usá-las da forma correta significa ter o poder para si, literalmente (ora, por que vocês acham que a ignorância interessa aos dominantes ?). Não acredita nisto ? Vamos a um exemplo, então : 

Para que serve um debate político ? Como sei quem o venceu ?
Através das palavras. Quem souber manipulá-las melhor, vence o debate e a eleição.
Novamente elas se relacionam com o poder. Entendam queridos, um verdadeiro político não deixa de cumprir suas promessas. Na verdade, ele nunca as fez. O que aconteceu foi, simplesmente, uma manipulação de palavras a fim de convencer você. Ele disse o que você queria ouvir (y). 

Não é questão de interpretação simplesmente. É questão de conhecimento (eu diria , até mesmo, que é um dom).

Eu, particularmente, gosto das palavras. Não sou tão boa e lírica com elas quanto o Marcos de Sousa ou o #MarceloAlves. Mas elas me fascinam. Dançam à minha frente e, vez por outra, me permitem descobertas e proezas. Até quando são cruéis comigo e passo a odiá-las, não consigo deixar de admirá-las. 

São sorrateiras, belas, sedutoras e sutis.

Sim, engana-se quem diz que não há poder (e beleza) nas palavras.


domingo, 24 de outubro de 2010

Meu Muiraquitã

É noite. Todos dormem.

Eu e a cidade permanecemos acordados.

A cidade, coitada, nunca tem descanso. Jamais tira um cochilo. 
Está sempre acolhendo uma alma perdida ou confusa em meio a seu caos.

Já eu, simplesmente não consigo adormecer.
Fecho os olhos e quase sonho com você à minha frente. Ingenuamente, abro-os na vã esperança de veres. 

Eis aí a causa de minha insônia : tua ausência.

Meu quarto cheira a presente e patchoulli, minha cama veste nossas lembranças, meu armário ainda guarda suas roupas e pela minha janela vejo as estrelas que ainda guardam nossos sonhos.

Ainda me lembro do dia em que o deixei, no auge de tudo.. Assim como também me lembro da forma como fostes levado de mim pelas mãos do destino.

Pode um amor resistir a tamanha distância ? 

O telefone toca. Do outro lado da linha ouço uma voz doce e quente. A sua voz.
Você também não consegue dormir, pelo mesmo motivo que eu, e de um jeito um tanto perverso, fico feliz por isso. Aos poucos, a sua suavidade me abraça e eu enfim adormeço.

Infelizmente, apesar da beleza do dia quando fito minha janela ao amanhecer, minha alegria não está completa. Falta o meu muiraquitã humanizado. Falta você. E por mais que possa se desejar um final feliz neste texto, ele não será possível no momento, porque esta história ainda não chegou a seu fim.

sábado, 16 de outubro de 2010

Noite Carioca

Sábado, aproximadamente 01h30min da manhã.

Lapa, berço da malandragem carioca e reduto de todos os ritmos.



Só dos ritmos ?

Pois bem, 2 meninos. Um preto, um empretecido. Ao lado de cada um, uma garrafinha. Mas dentro dela não havia água, suco, refrigerante ou bebida alcoólica. Era crack.

Mais distante, havia uma menina. Não tão empretecida quanto o segundo menino, mas ainda sim, encardida. Perto de si não havia garrafas, nem cigarros, pílulas ou agulhas. Só um amontoado de papelão. Ela estava cansada e com fome, mas conseguiu uns trocados pedindo aqui e ali durante o dia. Arrumou o papelão junto a uma das "paredes" dos Arcos, parecia mesmo uma casinha (não de gente, mas ainda assim, era uma casinha). Levantou, pegou seus trocadinhos, comprou uma coca, uma água e um churrasquinho. Foi à "casa", entrou, sentou, lavou as mãos e a boca com um pouquinho d'água, comeu o churrasquinho, tomou a sua coca-cola. Guardou a água com todo cuidado, pois ouviu na TV de algum lugar que o dia seguinte seria quente. Olhou os 2 meninos que riam e se divertiam com bolsas, carteiras e celulares novos. Olhou todas aquelas pessoas passando todo o tempo de lá para cá. Era bonito vê-los em suas diversas cores e luzes. 

Por fim, rendeu-se ao cansaço. Fechou a "porta" da sua "casa" e adormeceu, esperando que o dia seguinte lhe reservasse uma boa surpresa ou que ao menos, fosse menos cruel quanto o atual.
 

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