domingo, 28 de fevereiro de 2010

Histórias de Carnaval

Ai, o Carnaval ...
Época de soltar as feras mais íntimas que temos, de tirar a máscara do cotidiano e do óbvio para que esta dê lugar ao inusitado e irreverente, alegre pura e simplesmente.

Longe dos batuques da Marquês de Sapucaí (sambódromo, Praça da Apoteose, enfim...), eu, assim como milhares de outros cariocas e turistas, migrei à Região dos Lagos para aproveitar meu Carnaval. Meu destino ? Rio das Ostras.

A primeira história começa justamente de dentro do ônibus, ainda na rodoviária.
Depois de acalmar meu coração com a classificação do meu time para a final da Taça Guanabara no Sábado de Carnaval, eis que estou confortavelmente acomodada em meu lugar quando entra uma família uma BIG família, e toma conta de, nada mais nada menos do que 18 lugares no ônibus. Até aí, tudo bem. O problema é que eram TODOS rubro-negros e, o infeliz que sentou-se atrás de mim não parava de falar no rádio um só minuto !
Nem bem saímos da rodoviária, e já enfrentamos um congestionamento. O detalhe : estava um frio desgraçado dentro do ônibus (e eu de vestido "tomara-que-caia") e os filhos da BIG família TODOS berrando sempre que possível : "O manhê, tem outro lençol aê?" .
Enfim, quando chegamos à parada, todos eles saíram do veículo. Me vi tentada a dormir, mas quando já estava prestes a sonhar, entra outro membro da tal família comendo um biscoito com um incrível cheiro de vômito. Para completar, outro indivíduo da mesma descendência decide ouvir músicas culturalmente pobres no alto-falante do celular. É o fim !
Depois de 5 horas dentro do ônibus, eis que chego ao meu destino e ao da BIG família também. A diferença ? Eu desci do ônibus com meus pais e, em menos de 15 minutos estava em casa. Eles ? Bem, até a hora na qual saí de lá ainda nem tinham retirado todos os seus pertences do ônibus.

Outro dia interessante foi a terça-feira de Carnaval. Em meio a muitos "Pentes" e "Rebolations", os blocos de rua incendiavam Costa Azul (vai um jato d'água aí?). Entretanto, certas figuras sempre se destacam em meio à multidão de foliões. Por exemplo : os "cuecas brancas" fizeram sucesso com a perfeita imitação de uma canoa dentro de uma poça de lama.
Ou ainda os "patinhos", vestidos completamente de amarelo, com suas bóias em forma de pato que, devido à sua quantidade expressiva, chamaram bastante atenção.
Para quem prefere algo mais sedutor, as odaliscas (ou odaliscos, não sei) distribuíram muitos beijos e purpurina pelas ruas.
Agora, para quem quer mesmo pegação, Rio das Ostras é O LUGAR ! Até mesmo para casais unidos matrimonialmente é perigoso. Foi isso que o "tiozinho" bêbado constatou ao ver a mulher "loira" bêbada com outro. Depois de, literalmente, rolarem no chão bringando diante dos olhos de todos (inclusive dos seguranças, que nada fizeram), foram levados cada um para um lado, a fim de curtirem o restante do Carnaval (Vale Night !).

No mais, muita praia (com direito a salva vidas confundindo corpo com tartaruga marinha), zueira com os amigos e, na medida do possível, tranquilidade (rs).


" O vermelho do amor. Azul é a cor do céu. O branco da paz chegoou. Para conquistar seu coração, sacudindo essa cidade ! Tome um banho de felicidade ! "




Agora, é esperar pela Páscoa !
PS.: um salve para a Unidos da Tijuca !

BeijooO* gente !

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Provando algo diferente

Depois de um período de total falta de criatividade (talvez por conta das férias e do carnaval muito agitados) volto finalmente a postar neste humilde blog para a alegria de uns e a tristeza total de outros.

Sabe, no decorrer do ano esquecemos o quanto é bom se desligar da nossa terra. Conhecer pessoas e lugares novos faz bem, desestressa, traz novas experiências e, muitas vezes nos faz refletir sobre coisas que, até então, nunca tínhamos parado para pensar.

Uma janela de avião é um lugar excelente para isso.

Tudo bem, vocês podem dizer que numa viagem de 3 horas e meia (de Belém ao Rio), não há muito o que fazer além de dormir, ler aquelas revistinhas que a companhia aérea disponibiliza e pensar na sua vida ou na viagem que terminou há poucos minutos, mas vale a pena relatar a experiência. 

Ao decolar do aeroporto de Belém, no dia 18 de janeiro, exatamente na hora do amanhecer, comecei a fazer um pequeno balanço de minha viagem. 
Bom, estava voltando ao Rio de Janeiro com uma mala literalmente duas vezes mais pesada do que na ida, um sotaque diferente do que deixou o Rio na noite do dia 02 de janeiro, uma gíria que parece grudar na gente (ÉGUA!) e muitas ótimas lembranças de uma terra tão bonita. 

É incrível como o Brasil tem lugares bonitos e interessantes,mas parece que só o que interessa aos brasileiros são os cartões postais do exterior.
Belém é uma terra encantadora e fantástica. Mistura história, beleza, ritmo e preservação do que, no Sudeste (sonho de muitos nessa região) já sumiu faz muito tempo.

Conheci lugares incríveis historicamente como o "Ver-o-Peso",o "Forte do Presépio" e a Igreja de Nossa Senhora de Nazaré (aonde ocorre todos os anos a procissão do Círio de Nazaré).
Entendi finalmente o fenômeno das marés (nunca tinha entendido realmente, mesmo com todas as aulas de geografia que tive sobre o assunto)quando estive em Salinas. A propósito, as dunas perto da praia são realmente lindas(recomendo).
Isso sem falar em todos os lugares incrivelmente bem cuidados, limpos e bonitos que visitei como o "Pólo joalheiro"(cuja história vale a pena conhecer. Antes de existir o pólo, o lugar era uma prisão),a "Estação das Docas", o "Bosque", o "Museu" (que,ao contrário do que estamos acostumados por aqui, exibe animais soltos e plantas da região), o "Mangal das Garças" (um lugar que, me perdoem meus conterrâneos, é mais bonito que o Jardim Botânico).

Enfim, no meio de tanta natureza e de tanta gente simpática e educada (o que não se vê muito aqui no Rio), encontrei muitas pessoas encantadas demais com o conceito vendido pela mídia de "Cidade Maravilhosa".
Algumas não querem nem saber dos problemas noticiados todos os dias pelos meios de comunicação. Só querem, simplesmente uma vida melhor,e entendem que o melhor lugar para conseguirem isso é no Sudeste. E eu que pensava que, quando meus professores de História e Geografia falavam sobre essa migração, era algo que tivesse ficado para trás.  
É muito estranho você constatar que, apesar de tamanha beleza e riqueza naturais, essas regiões do país sejam tão deixadas de lado pelo governo.
Os próprios governantes da região poderiam fazer algo mais, mas não fazem.

Enfim gente, como creio que já tenha dado para notar, minhas férias foram SENSACIONAIS e recheadas. Só não lhes conto tudo porque foram MUITOS momentos, lugares e sensações diferentes, inexplicáveis e especiais.

Aah, sem esquecer, é claro, da minha família : LINDA ! Obrigada pelo acolhimento. Saudades de vocês já .

No mais, até !



 

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